Pré-candidatura gera reações diversas, atos públicos e críticas sobre filiamento regional e legitimidade política

Carlos Bolsonaro tem sido considerado como possível candidato ao Senado Federal por Santa Catarina nas eleições de 2026. As articulações dele e do PL, além de visitas, manifestações e declarações públicas, mostram que o cenário político no estado está se movimentando. A seguir, os destaques das movimentações recentes.
Contexto da potencial candidatura
Primeiro, importa lembrar que Carlos Bolsonaro é vereador no Rio de Janeiro há décadas, e nunca disputou cargo em outro estado.
Ele considera transferir o domicílio eleitoral para Santa Catarina para viabilizar sua candidatura ao Senado. O PL, partido ao qual ele pertence, articula composição de chapa no Estado, em que diferentes lideranças locais e nacionais estariam envolvidas.
Ações públicas e presença no estado
Para demonstrar legitimidade local, Carlos participou de atos em Criciúma e Florianópolis.
No evento de Criciúma, fez contato direto (“corpo a corpo”) com apoiadores e evitou subir no palanque, o que pode sinalizar uma estratégia para se aproximar do eleitorado local.
Em Florianópolis, esteve acompanhado de lideranças regionais do PL, como o governador Jorginho Mello.
Reações e críticas no cenário catarinense
Apesar de sinalizações de apoio, várias lideranças em Santa Catarina reagiram negativamente à ideia de um nome “de fora” representar o estado no Senado:
- A Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina) emitiu nota dizendo que o estado não “precisa importar políticos” de outros estados, defendendo que candidatos tenham raízes locais.
- O deputado estadual Altair Silva declarou que o estado possui identidade própria e deve ser representado por pessoas que conhecem a realidade local, criticando a ideia como um possível “atalho político”.
Estratégia partidária e desafios
O PL busca costurar sua chapa para as duas vagas de senador que estarão em disputa por Santa Catarina. Há, neste processo, indicação de nomes pelo governador estadual e participação direta do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Carlos postou, em redes sociais, que considera mudar de estado “quase por convocação”, para cumprir papel no “projeto de libertar o Brasil”, mantendo sua “essência”.
Entre os desafios estão:
- conquistar legitimidade local, dado que muitos eleitores e lideranças questionam suas ligações com Santa Catarina;
- adequar-se à legislação eleitoral sobre domicílio;
- gerir oposição interna no estado, já que há políticos catarinenses que aspiram à vaga no Senado;
- lidar com a percepção de que estaria sendo imposto externamente, o que pode repelir parte do eleitorado.
Possíveis cenários e próximos passos
Se confirmar candidatura por SC, Carlos poderá concorrer com número 222, símbolo associado ao bolsonarismo, com apoio claro do pai, Jair Bolsonaro.
O partido deverá definir quem indicará uma das vagas e quem ocupará outra. Jorginho Mello tem se posicionado como figura que pode indicar um nome, enquanto a escolha de Carlos dependeria de articulação nacional dentro do PL.
Visitas frequentes ao estado, participação em atos públicos e articulações com lideranças locais devem se intensificar nos próximos meses. A disputa interna no PL em SC será decisiva para definir se sua candidatura avança ou não.
Implicações políticas
A possível candidatura de Carlos Bolsonaro por Santa Catarina acirra debates sobre identidade política, representação local e direção do bolsonarismo. Ela também expõe tensões dentro do PL entre figuras locais e nacionais. Se for ao campo prático, pode mudar disputas regionais, realinhar alianças e influenciar desempenho do partido no estado.